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2014: #CorpoEmMovimento

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A metodologia da ELC para as turmas de Vídeo Arte no ano de 2014 mergulha nas questões da representação do corpo em movimento no espaço/tempo. Para tanto, as turmas contam com os mediadores Diego Bion e Diana Vieira, com experiência no audiovisual e nas artes visuais, além de Priscila Maia e Luisa Coser, pesquisadoras, bailarinas e coreógrafas, que realizam trabalhos no campo da vídeo dança ( o que é? acesse: http://goo.gl/iGzEK4 e http://goo.gl/Nyz8EX ).

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As aulas começaram em fevereiro e o primeiro passo dessa jornada foi mapear a relação dos jovens com o corpo e a dança através do audiovisual. A partir daí o cinema foi apresentado como uma possibilidade de estudo do corpo em movimento através de Eadweard Muybridge e do registro do cotidiano através dos irmãos Lumière. Os exercícios que permearam esse momento contribuíram para apresentar a câmera e suas possibilidades de captação de luz; e para a prática de iniciação à consciência corporal a partir das ideias de relaxamento, conscientização dos ossos, do peso do corpo e ativação da imaginação.

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 Na seqüencia, durante os meses de março e abril, os mediadores começaram a destacar como o desenvolvimento e amadurecimento técnico do cinema possibilitou a fragmentação dos corpos na tela.  A diferenciação entre gesto e movimento e as possíveis maneiras de se enquadrar um gesto ou parte do corpo, iniciando o vocabulário técnico cinematográfico dos planos. Assim foram apresentados aos jovens os fundamentos da linguagem cinematográfica plano, enquadramento e montagem. Como alternativa de aproximação da ideia de montagem, foi exibido um vídeo-experimento do “Efeito Kuleshov”; apresentado os conceito de raccord e jump CUT como estratégias narrativas de montagem, o primeiro garantindo a sensação de continuidade do movimento entre dois ou mais planos (http://goo.gl/Ddql7d) e o segundo demonstrando a natureza construída do filme com dois ou mais cortes seqüenciais no mesmo enquadramento.

CLIQUE AQUI PARA VER O EXERCÍCIO DE RACCORD REALIZADO PELOS ALUNOS!

Também foram abordadas questões relativas ao olhar (o que olhamos e como?) e a percepção além da literalidade e da metáfora como suportes narrativos (como criar um percurso-filmado de forma não literal e linear). O objetivo dessa temática foi sensibilizar e ativar para os ‘estados físicos e emocionais’ de cada um ao observar o trajeto em movimento para aos poucos ir ativando interesses e escolhas para o que olha.

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 Aqui você poderá acompanhar ao longo do ano a metodologia e o desenvolvimento da oficina e da videoinstalação que será realizada pelos alunos.

Abaixo segue a relação dos filmes/vídeos exibidos e exercícios realizados em sala de aula!

 Filmes/vídeos:

- “Kagado – Os Kazumbis”

- “Pequena Miss Sunshine”, de Jonathan Dayton e Valerie Faris

- “Deusa da Misericórdia com seus Mil Braços”

- “MulequeTransante”, de Tomat

- “Study in Coreography for Camera”, de Maya Deren

- “Cantando na Chuva”, de Stanley Donen e Gene Kelly (trecho)

- “Soul Train”, de Don Cornelius (trecho)

- “Smooth Criminal”, de Colin Chilvers& Jerry Kramer

- “Footloose”, de Herbert Ross (trecho)

- “A Batalha do Passinho”, de Emílio Domingos

- “5x Favela – Agora Por Nós Mesmos” / episódio “Deixa Voar”, de Cadu Barcellos (trecho)

- “Bolt – o super cão”, de Chris Williams e Byron Howard (trecho)

- “Fahrenheit 451”, de François Truffaut (trecho)

- “Losing you – Solange Knowles”, de Melina Matsoukas

- “Hiroshima MonAmour”, de Alain Resnais (1959) (trecho)

- “Screen tests”, Andy Warhol (1964-66)

- “Mobile Men”, ApitchatpongWeres (2008)

- “Bem-te-vi”, Luisa Coser – oficina de Vido-retratos Dança em Foco 2010

- “A Paixão de Joana D’arc”, Carl Theodor Dreyer (trecho)

- “Hand Movie”, Yvonne Rainer (1966)

- “Not I”, Becket (1973)

- “Private life of a cat”, Maya Deren (1947)

- “Uberlin – Grupo REM”

- “Jornada ao umbigo do Mundo”, de Alice Ripol e Alex Cassal

- “Bridges”, de Shirley Clarke

- “Money”, de Henry Hills

- “Vivre sa vie”, de Jean-Luc Godard (trecho)

- “Pickpocket”, de Robert Bresson (trecho)

- Serpentine Dance:

«Danseserpentine [II]», Lumière, France, 1899.

«Danseserpentine par Madame Bob-Walter», de Alice Guy, Léon Gaumont& Cie, France, 1900.

«Loïe Fuller», Pathé Frères, France, 1905.

«Danse de l’éventail», Lumière, France, 1899.

«Ameta», American Mutoscope&Biograph Co, 1903.

«Serpentine Dance by Lina Esbrard», attribué à Alice Guy, Gaumont, France, 1902.

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Exercícios:

- Construção de abecedário a partir de referências e memórias ligadas a dança: o exercício começa de maneira individual e ao longo do trajeto se transforma em coletivo com os jovens sendo incentivados a compartilharem as opções utilizadas em algumas letras. Com todos os abecedários concluídos, todos se reúnem em roda para que seja realizada, letra a letra, uma apresentação geral do que foi produzido.

- Minuto Lumiére: observar o território e escolher um ponto onde a câmera deva ser posicionada para gravar durante um minuto em plano fixo, assim como os irmãos Lumiére. Depois da gravação, o material é exibido com o projetor e comentado pelos jovens.

- Produção de fotografias utilizando a técnica “Lighting Painting”: num ambiente escuro e com uma lanterna na mão, cada participante realiza movimentos em frente a câmera, presa a um tripé e com o obturador em baixa velocidade. Assim através do movimento, a luz pode criar formas. Para finalizar a aula, as fotos são exibidas com o projetor.

- Raccord: organizados em duplas os participantes se revezam em filmar um movimento/gesto utilizando três enquadramentos. Ao final, projeta-se o Adobe Premiere para a edição ser realizada em conjunto, utilizando a técnica do Raccord na montagem dos vídeos. 

- Roteiro, realização fílmica e montagem: os participantes se organizaram em grupos e cada um deles escreve um roteiro norteado pelas perguntas  ”O que?” (A ação), “Onde?” (Local), “Como?” (Decupagem). Depois, por ordem de finalização dos roteiros, os participantes filmam em cinco planos uma ação, pensando sempre a relação da câmera com o corpo filmado e a montagem. Por último, a partir dos roteiros e do material filmado,  os participantes editam os vídeos em grupo (exibição do programa com o projetor para os participantes assistirem a edição em tempo real) com uma breve explicação do mediador sobre o programa utilizado para a edição, nesse caso o Adode Premiere. Os participantes devem estar atentos decidindo os momentos de cada corte e passagem de cada plano pensando em raccord e jump-cut.

- Composição por acumulação: cada participante faz um gesto, e estes são acumulados até formarem uma sequência.

- Prática no chão: a partir de ideias de relaxamento, conscientização dos ossos e do peso do corpo e ativação da imaginação.

- Criatividade: criação uma pequena história a partir de três palavras dadas por outro participante.

- Olhar: num papel ofício, cada participante desenha e recorta  3 círculos de dimensões diferentes. Separados em duplas/trios, os alunos se alternaram nos papéis de observador e objeto. A proposta é experimentar formas de olhar e recortar o corpo do outro. Esse exercício chama atenção para as possibilidades de fragmentação do corpo conquistadas pelo desenvolvimento e amadurecimento técnico da linguagem cinematográfica.

- Vídeo: realizar em casa um pequeno vídeo em que haja a presença do corpo. O corpo, aqui é entendido, como algo capaz de gerar movimento, podendo ser uma cadeira ou um homem.

- Atividade: os participantes são encorajados a percorrer, de olhos fechados, o trajeto feito de casa até aqui. Em pé, se deslocando, ir falando tudo que viu durante esse percurso. Depois, selecionar 3 coisas (ações ou objetos) e dar 1 gesto para cada coisa. Após essa primeira parte, a turma é dividida em grupos, e cada grupo junta as 3 palavras de cada participante e constrói uma historia. O exercício é finalizado em roda, com o mediador lendo as palavras de cada grupo e depois a história.

- Caminhada: os participantes realizam uma caminhada silenciosa com observação-participante pelo bairro com parada em três pontos. Na volta, divididos em duplas, cada um faz o contorno do seu corpo numa folha de papel e escreve ‘ tudo que registrou’ durante a caminhada silenciosa.

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